Carta de resposta aos artigos, da autoria de José Barriga

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Criado em segunda, 14 março 2005, 00:00

Ao Exmo Senhor Director do PÚBLICO José Manuel Fernandes

Na vossa edição de hoje, o artigo sob o título "Há dezenas de pistas de aterragem a funcionar sem controlo em todo o país" está apresentado de uma forma tal que a interpretação imediata é: não controlam os aviões e depois é só droga por aí!

 

Como se não bastasse foi dado ênfase a uma ideia, cujo interesse público é duvidoso: se não há condições de controle de quem utiliza uma pista, esta deverá ser destruída!

Penso que a jornalista deveria ter evitado a abordagem superficial do tema e ter pegado apenas na vertente apresentada. Julgo que faria todo o sentido ter olhado, para que servem afinal estas pistas todas! Porque quem está de fora do tema e lê este artigo, quase de certeza que ficará a pensar que estas pistas são o paraíso dos traficantes de droga!

Quanto à ideia de fechar as pistas que não são passíveis de controlar: bom, que dizer sobre isso? Feche-se também as escolas que não se conseguem vigiar? Feche-se bares e discotecas que não pode ser controlados? Feche-se portos, marinas e praias que não se consegue controlar?

Está a ser cada vez mais difícil ser piloto de lazer ou desportivo em Portugal. Uma actividade que por inerência não é barata, sem apoios financeiros de lado nenhum e onerada burocraticamente por várias vias, assiste agora a mais uma tentativa de retirar a sua liberdade de expressão.

Mais uma vez está a pagar o justo pelo pecador!

Aqueles que têm uma licença aeronáutica válida, que voam aeronaves com certificado de navegabilidade válido e usam pistas certificadas é que vão ficar restringidos na prática da sua actividade! Porque quem quiser praticar crimes, poderá faze-lo mesmo sem licença aeronáutica, usando aeronaves sem matrícula, a partir de um campo qualquer, seja em Beja, Faro ou noutro sítio qualquer deste país.

 

José Barriga
Piloto de planadores (com licença válida emitida pelo INAC)